Friendface

January 6th, 2009

Social Networking para pragmáticos (tal como foi visto, e ripado, no 5º episódio do IT Crowd).

update: tinha que ser http://www.friendface.org/

Portuguese, Tech stuff , ,

Região 36

January 4th, 2009

FidoNet Mascot

Esta coisa de andar a passar as cassetes de VHS para streams de .dv anda-me a provocar ataques colaterais de nostalgia. Quem é que se lembra dos tempos da Fidonet, perguntei eu no Twitter há pouco. É uma boa pergunta para percebermos a nossa ciber-idade, ou o nosso ciber-calo como eu prefiro pensar. Saltaram estes da cartola assim de repente:

Mas há mais que eu sei, mostrai-vos. Aliás, Fausto, devias fazer um post com a história bem contada porque eu na altura era aprendiz.

E tu que és “chavalo” e não fazes a mínima ideia do que é isto então não sabes o que perdeste. A Fidonet antecedeu a Internet, o E-mail e os Fóruns, era global e distribuida. Já tinha endereçamento e routing, e funcionava principalmente através das BBS e dos velhos modems de 1200/2400 bauds.

Portuguese, Tech stuff ,

2008 pelos olhos da Pesquisa do SAPO

December 21st, 2008

Uns têm o Zeitgeist, outros o Buzz, o SAPO decidiu este ano tratar a imensa matéria prima que tem da Pesquisas feitas em 2008 e fazer umas estatísticas em jeito de curiosidades de fim de ano, cá para o burgo do rectângulo.

Post feito no nosso novíssimo blog sobre tendências no SAPO, o Causa e Efeito,  e documento completo em PDF.

Portuguese, Tech stuff

SAPO News para o iPhone/iTouch

November 10th, 2008

Aqui a malta lançou hoje, ou melhor, a Apple permitiu que a malta lançasse, aquilo que me parece ser, apesar das notícias oportunamente vinculadas por outros indiciarem o contrário, a primeira aplicação nativa feita em Portugal para o iPhone e disponível a AppStore. É o SAPO News, tem a Banca de Jornais, as Notícias e a Pesquisa e pode estar gratuitamente nas mãos dos 10000, perdão, 3500 utilizadores de iPhones que existem em Portugal.

Anyway, “kudos” para o Pavão e para o Delfim, a coisa ficou um brinco, modéstia à parte.
Go and grab it.

update: É justo dizer que a Empty Factory, que desconhecia, já está em campo com aplicações nativas na AppStore há uns tempos.

Portuguese, Tech stuff

XFN Graph do Codebits

November 9th, 2008


André sugeriu que implementássemos alguns Microformatos nos templates do site do Codebits, neste caso XFN e hCards. Assim fizemos.

Esta é uma imagem do Graph de relações feita com o XFN Graph com base na minha página pessoal do Codebits.
Façam o vosso.

Portuguese, Tech stuff

Bastidores do Benfica vs Nápoles

October 4th, 2008

Há umas semanas fez-se uma reunião histórica lá no trabalho, a primeira de uma série de tantas para começar a preparar um evento que na minha opinião entrará directo para a história dos momentos SAPO: a transmissão de um jogo de futebol importante ao vivo na Internet, neste caso o Benfica/Nápoles. A oportunidade fez parte de um pacote mais abrangente que incluiu o lançamento do canal Benfica, que como sabem é um exclusivo do Meo, com a sua primeira emissão ao vivo.

Decidiu-se também, que no caso da transmissão pela Internet, iríamos abrir o acesso não só aos nossos clientes mas também aos restantes clientes dos outros ISPs nacionais, e conseguimos ainda garantir direitos de transmissão para uma série de países, incluíndo alguns PALOPs. Perfeito, este projecto tinha todos os ingredientes para se tornar histórico no SAPO: escala, riscos, desafios e muita adrenalina. Foi daqueles raros projectos que consegue transformar um elefante como a PT numa startup cheia de gana, motivação e cooperação. Foi lindo.

Ora, para um evento extraordinário exigem-se medidas extraordinárias e quando a empresa está em absoluta sintonia as coisas tornam-se mais fáceis. Aparecem equipamentos de rede e servidores em duas semanas que demorariam meses a encomendar, fazem-se soluções engenhosas em flash que nunca tínhamos ponderado, ligam-se infra-estruturas de transmissão de sinal vídeo em poucos dias que estavam por um fio há meses, eu sei lá. Tudo normal acho eu, afinal de contas quando se tem cem projectos em mão é preciso estabelecer prioridades.

Depois houve uma reunião particularmente interessante, aquela em que tentámos estimar a audiência online. Como é que estimamos uma coisa que nunca foi feita, em condições que nunca existiram para um público alvo que é caracterizado por ser completamente incerto? Não estimamos, metemos o dedo no ar, multiplicamos por quatro e damos o nossos melhor. A palavra chave aqui é sobredimensionamento. Mas tínhamos alguns indicadores: ninguém consegue ver o jogo na televisão a não ser que seja cliente Meo, a palavra passa depressa na Internet e há Benfiquistas obstinados até dizer chega neste País (e fora dele também). As probabilidades de sermos surpreendidos por uma avalanche eram altas.

Então o que é que fizemos?

Primeiro usámos a infra-estrutura recente do SAPO Vídeos para fazer a transmissão. Reforçámos a farm com 16 novos servidores (yep) quad-core com 4 placas de rede cada um, 3 das quais em giga ethernet ligadas aos routers de saída 1 a quarta ligada ao backend. Ou seja, cada servidor estava pronto para debitar 3 Gigabit/s de streams para a Internet. E reforçamos o equipamento de rede (cisco) para aumentar a capacidade de switching e de portas. No total criámos uma plataforma capaz de debitar um total de cerca de 40 Gigabit/s de conteúdo vídeo. Poderoso, digo eu.

O streaming foi feito em flash (portabilidade foi um requisito absoluto e o flash está instalado em >98% dos computadores) usando o codec H.264 e com um perfil de qualidade (bit-rate e frame-rate) elevado o suficiente para se conseguir ver um jogo de futebol em full-screen em condições boas. Quem teve a oportunidade de experimentar deverá concordar que a qualidade de imagem era excepcional. Este perfil gastaria em média entre 200 a 300kbit/s mas tinha picos de 600Kbit/s. O servidor que usámos para fazer streaming foi o da Wowza, a correr em Linux, e que recomendamos vivamente.

Portanto usámos a estratégia clássica da engenharia, dissemos ao produto que estávamos prontos para 30.000 streams, preparámos-nos para os 50.000 e na prática chegamos aos > 60.000 streams. Isso até nos permitiu brincar com a imagem do evento e usar a metáfora do estádio da Luz que leva 65000(?) pessoas.

Não estão impressionados? Deviam estar.

A fonte do sinal de vídeo foi retirada directamente do headend do IPTV em Monsanto, com um plano B em Picoas usando directamente uma caixa Meo e ainda ponderámos um plano C a partir do Meo satélite, não fosse alguma coisa correr mesmo muito mal.

A malta da rede do acesso ADSL fez um levantamento exaustivo do grau de ocupação dos DSLAMs no País todo, identificámos os mais problemáticos e tomámos medidas de precaução com esses. Montámos um proceso com a equipa de operações e prevenção da PT Comunicações e tivemos informação em tempo real, online, do grau de ocupação da rede. A nossa estratégia, muito honestamente, seria a de informar no site o cliente que não poderia ver o jogo porque o seu DSLAM não tinha mais capacidade disponível. Felizmente só tivemos um alarme durante durante todo o jogo com um DSLAM em Vila Franca de Xira que chegou aos 70% de ocupação. Montaram-se também processos de atendimento a clientes, especialmente por causa do subscrições do Meo e do Meo Sat de última hora.

O site foi todo montado para ser estático com um único pedido dinâmico. Este pedido fazia duas coisas 1. obtinha a origem do IP (por causa dos direitos de transmissão para o estrangeiro) 2. Se o IP fosse nosso (PTC) interagia com o Radius (o sistema de autenticação dos clientes ADSL) para saber em que DSLAM se encontrava (ver parágrafo anterior para perceber).

As páginas e o player de flash foram todas servidas por 3 frontends dedicados a correr nginx. Esqueçam Apache, esqueçam lighttpd. Querem “extreme performance” e modularidade ao mesmo tempo? Dêem uma vista de olhos ao nginx. Não se deixem levar pelo aspecto cru da página, o autor é um senhor. O player de flash foi especialmente feito para esta emissão e trocava uma série de mensagens com outros elementos da página, cliente side. Por exemplo, se durante a emissão vissem uma repetição (aqueles vídeos do lado direito com as jogadas principais), o player pausava o stream (para poupar largura de banda), passava o vídeo da jogada e no fim retomava o stream sem o desligar (para o utilizador nao “perder o lugar”). Pretty clever.

Às 18h15 começou a emissão. Por essa altura já os blogs e fórums tinham feito o seu trabalho (apesar de só termos anunciado a transmissão na manhã do mesmo dia) e 15 minutos depois já estavam 9.000 marrecos pendurados na emissão. Foi o primeiro indicador de que isto ia ser grande. Às 19h15 estavam 30.000, às 20h15 (início do jogo) estavam 40.000 pessoas ligadas e muito pouco tempo depois ultrapassamos a marca das 60.000 streams.

Os servidores de streaming tinham dois soft-limits: 1. número máximo de ligações concorrentes para clientes ADSL SAPO/PT. 2. número máximo para outros clientes (outros ISPs e estrangeiro). O Vitor foi ajustando esses limites à medida que o jogo decorria, nas consolas dos 16 servidores.

A rede ADSL SAPO não foi um problema. De facto só tivemos um alarme durante o jogo e não foi sequer grave. A grande maioria dos nossos clientes tiveram condições para ver o jogo com boas condições sem percalços graves a assinalar.

Também tivemos um pequeno problema com o som. Em circunstâncias ainda não apuradas, alguns cliente ficaram sem som durante a emissão, nada que não se resolvesse com um reload da página (ou com a TSF) mas foi chato, especialmente porque o problema não se manifestou nem nos inúmeros testes que fizemos nem na simulação de carga de 2ª feira. É algo que ficámos de ver como trabalho para casa.

O que correu menos bem foi a transmissão para os restantes ISPs. Porquê? Muito simples, porque a maior parte das ligações de peering entre a PT (ou antiga Telepac) e esses mesmos ISPs bateram completamente no tecto, flat lines. O peering existe porque os ISPs preferem trocar tráfego nacional (teoricamente mais barato) entre eles do que gastarem os seus links internacionais para fazer o mesmo. Até aqui tudo bem, mas o que está mal, IMHO, é que estes links não estão de todos preparados para surpresas como esta porque a capacidade dos mesmos em condições normais já é, na maior dos parte dos casos, bem superior a 60%.

Eu nem quero discutir o modelo do peering que existe, o ponto não é esse. O meu ponto é apenas garantir-vos que o peering nacional simplesmente não está preparado para um evento desta magnitude. De resto nem o peering nem a Internet, é justo dizer. A única forma de garantir QoS numa transmissão ao vivo com exigências anormais é com um controlo total da infra-estrutura ponto a ponto, desde o sinal até à casa do cliente. Podemos discutir as tecnologias emergentes de P2P ou a utilização de CDNs, todas têm vantagens e desvantagens, mas no fim do dia mantenho o que disse.

Portanto, por volta 19h já o link de um outro grande ISP Português estava completamente saturado. E mal começou o jogo saturaram praticamente todos os outros que têm expressão nacional no mercado residencial. Muitos clientes desses ISPs conseguiram ver o jogo, uns com soluções e outros não conseguiam de todo.


(a linha vermelha é o limite físico da linha, a linha azul é o tráfego de saída)

É claro que o povo não quer saber destes detalhes para nada, nem os jornais, *especialmente* quando se trata de um jogo do Benfica. Vai daí que de entre inúmeros elogios, lá surge o comentário incisivo do Benfiquista insatisfeito. Da sua perspectiva, e percebo isso perfeitamente, o SAPO disse que dava mas afinal isto não funciona muito bem. E tirando os meios da especialidade, nem vale a pena tentar dar explicações à malta, porque só vai piorar. Até tivemos direito a cartoon no DN e tudo (o que só por si é motivo de orgulho, diga-se). É claro que disto tudo tiram-se conclusões para o futuro, também aprendemos umas coisas.

Dito isto, considerem-se informados. Segue-se agora alguma estatística, números, que é o que vocês querem:

- 16 servidores com 3Gb/s de capacidade e mais de 4500 streams em alta qualidade e H.264, cada um.
- Infra-estrutura de rede local capaz de debitar 40Gb/s.
- Ultrapassámos os 60.000 streams em simultâneo na segunda parte do jogo (não ultrapassamos antes porque fomos conservadores e fomos abrindo a torneira ao longo do tempo). Usámos Flash9 com H.264 e streaming em rtmp.
- Mais de 270.000 pessoas tentaram ver o jogo.
- Mais de 10.000 pessoas tentaram ver o jogo a partir do estrangeiro, a maior parte conseguiu, mas alguns não puderam por questões de direitos de transmissão. Tivemos um testemunho de um amigo que viu o jogo em Angola com uma placa móvel 3G. O país que mais acessos teve foi a Suiça.
- 36% das tentativas de ver o jogo vieram dos nossos clientes ADSL (com taxas de sucesso muito elevadas), 58% das tentativas vieram de outros ISPs nacionais (com algum sucesso mas mas também com alguns problemas) e 6% das tentativas vieram do estrangeiro.
- Debitámos mais de 9Gbit/s de tráfego adicional para dentro da nossa rede ADSL, debitámos mais de 10Gbit/s para os links de peering dos restantes ISPs (não conseguimos mais, pelo exposto).

Esta foi sem margem para dúvidas a maior transmissão ao vivo feita na Internet em Portugal com números dignos de eventos e audiências mundiais, e tendo em conta que foi um jogo do Benfica, eu diria que tudo o que vier a seguir são amendoins e que isto foi o teste extremo de uma infra-estrutura que decididamente não vamos desmontar.

Termino com um dos gráficos de tráfego, esclarecedor da dimensão que isto teve numa plataforma já de si produtora de quantidades massivas de tráfego, o SAPO Vídeos.

Acho que é esta a força do Benfica.

PS1: Eu sou Sportinguista!
PS2: Obrigado Vitor, Guilherme, Rui, Marco, Paulo e Alvim. Eu estou para aqui a falar mas foram vocês que montaram isto tudo.
PS3: Há videos dos bastidores durante o decorrer do jogo, das equipas do SAPO, da rede e das operações e das Pizzas. Fica o compromisso de os editar e de meter na Net.

Cross-posted no developers.sapo.pt

Portuguese, Tech stuff

Codebits 2008

September 25th, 2008

SAPO Codebits 2008 já está em contagem decrescente. Vai ser nos dias 13, 14 e 15 de Novembro na LX Factory em Alcântara. O site do evento já está a funcionar e já se podem registar. Podem ainda no processo de registo referenciar amigos que queiram ver presentes no Codebits.

Este ano abrimos também uma espécie de “Call for papers” para participantes que se queiram desde já propor a fazer workshops durante a primeira tarde e manhã do dia seguinte do evento. Proponham aqui.

Oportunamente e ao longo das próximas semanas vamos gradualmente divulgando os detalhes do evento deste ano, incluindo os detalhes do concurso, os oradores, as surpresas, a logistica, etc. A melhor forma de nos acompanhar é subscrevendo o nosso feed de RSS do Blog, ou o feed do FriendFeed (que agrega todos os canais) ou o Twitter.

Vão 3 dias inesquecíveis de muita tecnologia, ideias, hacking e networking garantidos, confiem em mim.

‘té já.

Portuguese, Tech stuff

Expresso, Google e a estupidez

September 2nd, 2008


Antes de ir de Férias, o Sr. Nelson Marques, Jornalista e colaborador do Expresso, pediu-me uma opinião sobre “um artigo sobre o Google (e, no fundo, a Internet) e a forma como ele tem alterado, por exemplo, a forma como lemos e percepcionamos esta informação.” a propósito de um recente “post” neste Blog. Acedi responder. Era uma tema “quente” e que me interessava e portanto gastei algum tempo com a resposta para que ficasse claro o meu ponto de vista. Este fim de semana comecei a receber SMSes de amigos por causa do meu nome ter aparecido associado a um artigo do Expresso intitulado “Está o Google a tornar-nos estúpidos?“. 

Antes de continuar quero também deixar claro que não conheço pessoalmente o Sr. Nelson Marques nem o seu trabalho e que portanto isto não é um juízo de valores nem uma crítica ao artigo. É apenas um esclarecimento feito com respeito.

A razão deste post não é porque eu ache o artigo é fraco. Isso não mereceria a minha atenção. Escrevo porque não posso deixar passar incólumes duas referências na história às quais directa ou indirectamente o meu nome está associado:

1.

Na edição em papel, o artigo é acompanhado com um ranking da ComScore sobre os sites em Portugal que coloca o Google em primeiro, o AEIOU em segundo e depois mais uns 4 ou 5 sites irrelevantes. O SAPO nem aparece no radar. Infelizmente não consegui fazer um scan do gráfico para reproduzir aqui.

Como é sabido eu tenho umas 100 T-shirts do SAPO ali no armário e portanto sim, sou suspeito e faccioso nesta questão. Mas bolas, não é preciso pesquisar nem saber muito de Internet para perceber que 1. A ComScore ainda não actua em Portugal. Faz umas coisas pela rama, em forma de estudos, muito dedo no ar, num contexto de Europa, e ninguém sabe como é que medem aquilo, mas certamente que não é nem com painel de utilizadores nem com dados fornecidos pelos sites. 2. O SAPO, por muito crítico ou enviesado que se seja, é inquestionavelmente o maior (de longe) projecto de Internet Português. 3. Goste-se ou não, questione-se a margem de erro, mas ficam aqui 3 serviços que espelham a razoavelmente bem a nossa realidade de audiências, um com painel (Netpanel), outro pela comunidade (Alexa) e o último por auditoria (Netscope).

O Expresso pertence ao grupo Impresa. O AEIOU também.

2.

Uma menos boa interpretação, ou pelo menos parcial, do que tentei explicar.  Quem ler o artigo só fica com duas ideias sobre mim: adultero os livros que leio e acho que a Internet só debita porcaria. E sou o CTO do SAPO.

Ora sendo eu quem sou, com o historial que tenho de mais de 13 anos a trabalhar com a Internet em Portugal e considerando-me, modéstia à parte, um evangelista daquilo que de melhor esta ferramenta nos deu e nos continuará a dar isto parece no mínimo um contra-senso.

A realidade é que o que escrevi fi-lo num contexto de discussão sobre a alteração de comportamentos das pessoas e de todo o tema da crescente falta de atenção e criteriosidade dos utilizadores e nada mais.

Não é para mim claro, nem o disse, que esta alteração de comportamento seja negativa para a sociedade ou para os utilizadores e longe de mim associar a maior invenção da minha geração à estupidez das pessoas. É apenas a constatação de que há uma mudança a acontecer e à qual assisto activamente com expectativa e excitação.

Portanto, reitero o respeito pelos autores mas não me identifico lá muito com a linha de pensamento do artigo supra citado nem com o respectivo enquadramento das minhas opiniões. Em baixo deixo o E-Mail que enviei ao Nelson Marques.


From: celso@sapo.pt
Subject: Re: ARTIGO EXPRESSO: Google e hábitos de leitura
Date: August 2, 2008 4:20:11 PM GMT+01:00
To: nelsonmarques@—–

Olá Nelson,

Começando do fim para o princípio, a Internet mudou definitivamente o nosso comportamento e os nossos hábitos, isso é visível até para o mais céptico ou desatento.

Eu, e julgo que qualquer pessoa que seja um utilizador intenso da Internet há tantos anos como eu sou, tenho mais dificuldade hoje em dia em ler um livro de ponta a pavio. Ou melhor, eu não tenho dificuldade em ler o livro, faço-o é de uma forma completamente diferente do que fazia há 5 ou 10 anos atrás, inconscientemente. Faço-a em busca da satisfação imediata, pulo capítulos ou partes desinteressantes, leio-o na diagonal, utilizo a história com um manual de referência, adultero-o. Ou seja não ofereço ao livro a atenção que ele merece, nem sequer lhe dou essa oportunidade. Não é que eu não queira, simplesmente deixei de ter os mesmo níveis de motivação para o fazer. Porque lá no fundo eu sei que o livro é comparavelmente ineficaz a recompensar-me pelo meu investimento, pelo menos no curto prazo. E o livro aqui é só a figura de tudo o que requere concentração, atenção e dedicação.

O problema da atenção, esse recurso altamente finito e precioso que os humanos têm, é na minha opinião mais grave do que a questão também actual do excesso de informação. Informação a mais não é um grande problema, houve periodos na história em que provavelmente lidámos com saltos quantitativos superiores ao que a Internet nos trouxe e safámos-nos bem, evoluímos para melhor. O problema é o tipo de informação que a Internet nos dá (e que os motores de busca privilegiam porque há um ecosistema natural de oferta e da procura igual a qualquer meio, por exemplo como a televisão), e que é em grande parte desinformação, efémere, trivial, sensacional, barata, é o fast-food dos conteúdos.

Mas os problemas surgem mesmo, como refere o artigo da CFA, quando o subconsciente toma conta do consciente e deixamos de ter critério. E é aqui que começamos a falar de estupidez, e é aqui nesta fase terminal que eu me preocupo (com expectativa, porque também acho que há muito de positivo) especialmente com as novas gerações de jovens utilizadores da Internet. Ou seja, quando um terramoto passa a ter o mesmo grau de importância que a saída de um jogador de futebol para outro clube.

Há outras questões relacionadas com o tema da atenção e do excesso de informação que merecem reflexão. O João Pedro com quem trabalho, deixou um comentário no meu post que fala sobre algumas:

Sobre os especialistas instantâneos, os grandes programadores feitos em 30 dias: http://www.norvig.com/21-days.html

Este artigo do economist é particularmente interessante porque fala de um efeito colateral que estas alterações de comportamento estão a fazer á comunidade cientifica. A extinção das grandes investigações, dos grandes estudos e dos trabalhos de fundo pode acabar também com as grandes descobertas acidentais. E as grandes invenções de todos os tempos foram acidentais. Ou melhor dito “Electronic searching means that no relevant paper is likely to go unread, but narrowing the definition of “relevance” risks reducing the cross-fertilisation of ideas that sometimes leads to big, unexpected advances. As a wag once put it, an expert is someone who knows more and more about less and less until, eventually, he knows everything about nothing.”

http://www.economist.com/science/displaystory.cfm?story_id=11745514

Mas não quero com isto dizer que a mudança seja negativa, sobre isso não tenho certezas. A Internet foi a maior descoberta da minha geração e eu acho que o seu maior potencial ainda está por revelar. A ruptura é sempre complicada, é preciso dar tempo ao tempo (também aqui) aos vários agentes da Internet, que também é um ser vivo, aos consumidores, aos produtores e aos organizadores. A visão da Web Semântica pretende também resolver em parte estes problemas, já agora: http://en.wikipedia.org/wiki/Semantic_Web

Espero ter ajudado. Boa sorte com o artigo.

Ab,
Celso.

Tech stuff

O nosso Magellan

July 31st, 2008

O nome da versão tuga do classmate de 2ª geração da Intel (review) é no mínimo estranho para um computador orientado para miúdos dos 6 aos 10 anos. Magalhães é… sim, estranho. Não sei quem foi o consultor ou a agência que fez o estudo, ou se a ideia surgiu espontaneamente numa reunião de ministros numa pausa entre a criação dumas leis mas pronto, acho-o pouco “kiddie friendly” (Mobo Kids é bem mais giro), faz-me lembrar os bonecos do Professor Baltazar (arrepios).


Mas eu estou convencido que se pusermos 500 mil putos a pedir o Magalhães aos pais (mais arrepios) para se ligarem ao Hi5, ao fim de uns meses até vai soar bem e sempre temos uma juventude mais culta.

De qualquer das formas não é todos todos os dias que Portugal aparece em simultâneo no The Register, na BBCHerald Tribune, no The Inquirer (com direito a piadinha) e na AP , entre outros, por um motivo aparentemente bom. E deve ser mesmo bom porque os meninos frustados do OPLC já disseram que foi uma má decisão e portanto IMHO e tendo em conta o historial dos citados, credibilizaram a iniciativa (The Magellan Initiative, como lhe chamam lá fora).

Mas eu queria era falar do suposto dual boot XP/Caixa Mágica (dual boot com 30Gigs?) mas estou de férias e isso exigiria de mim algum esforço mental, que não estou para ter. Falem vocês. Só consigo imaginar o meu amigo Paulo Trezentos na posição do Paulo Portas quando foi nomeado ministro do Mar, que parvoíce a minha, apanhei algum sol hoje.

Agora a sério, o tema é político e os contornos económicos “complexos”, mas sendo eu um assumido fã da política pela execução (não pelas intenções), aplaudo de pé, por agora. Well done.

Portuguese, Tech stuff

Sobre a atenção

July 28th, 2008

Não sou grande fã da Clara Ferreira Alves mas honra seja feita, e especialmente porque assumo pela leitura do seu texto que ela nem sequer é uma consumidora obcecada da Web, não conseguiria ter escrito melhor sobre este tema tão actual que é a “information overflow” (ou a crise da falta de atenção, prefiro eu) e as alterações sociais e de raciocínio que nos inflige, e de que poucos se apercebem. Chamou-lhe Spam Lusitano e inspirou-se (e refere-o) num artigo de Nicholas Carr de título “Is Google Making Us Stupid?“.

Claramente vivemos tempos de profundas mudanças de comportamento. A forma como consumimos informação, a nossa capacidade de discernimento e de focar a nossa atenção estão irreversivelmente alteradas, sobre isto não há dúvidas. Não diria para pior porque para qualificar a mudança é preciso esperar muito, mas há definitivamente benefícios que se perderam desde a era pre-web democrática. E a minha curiosidade, porque agora tenho filhos, é assistir (e aprender?) com as gerações que já nasceram formatadas.

Portuguese