Segundo o semanário "Expresso" deste fim de semana o actual governo prepara-se para fazer uma parceria com os CTT e no âmbito do "Choque/Plano tecnológico" dar um E-Mail a todos os cidadãos portugueses. O racional começa por ser o uso da Internet como meio privilegiado de contacto com os contribuintes como um instrumento de combate à fraude e à evasão fiscal (já se viu que a entrega electrónica do IRS é um sucesso) mas admite-se um uso mais abrangente, afinal de contas é um simples E-Mail na rede pública Internet. Fala-se também em certificação/garantia de recepção e entrega e mais, caso a mensagem não seja lida electronicamente é entregue fisicamente pelos CTT.
A medida parece à primeira vista interessante mas é uma pena não avançarem com os detalhes técnicos da implementação do projecto. Sendo afinal de contas uma medida tecnológica seria normal que para além dos benefícios sociais aparentes (e populares) se dessem algumas explicações técnicas, ainda que fossem "guidelines" para a comunidade.
Pessoalmente tenho muitas questões: ...
1. Quem é que em Portugal tem conectividade e não tem E-Mail ? Como é que as pessoas sem conectividade vão ter acesso ao E-Mail fornecido pelo governo ? Quiosques ? Redundância/negócio para os CTT que vão ter que entregar fisicamente as mensagens à mesma ?
2. Que tecnologia é que vão usar para garantir a entrega e a recepção do E-Mail ? Vamos criar um monstro nacional inoperante com o resto do mundo e com os standards que se estão a consolidar ? Só é garantida a autenticidade e a entrega entre o Fisco e os CTT ? Estará a equipa do projecto sensibilizada para as iniciativas mundiais e nacionais no que diz respeito a E-Mail Forgery/ID (SPF, DomainKeys, SenderID, Mailsig, etc etc) ?
3. Como é que vão combater os E-flagelos da actualidade, nomeadamente o Spam, E-Mail forgery, e E-Abuse em geral ?
4. E-Mail é Messaging. Vamos ter SMSes, Instant Messaging, Any/Unified-Messaging também no futuro, através dos CTT ? Os CTT vão-se tornar fornecedores de serviços Internet e logo a uma escala bem maior do que qualquer operador nacional ?
5. Que plataforma base é vai suportar >10 milhões de caixas de E-Mail ? Qual será o parceiro tecnológico para montar isto ? Quem é é que o vai escolher e sob que critério ? O governo vai promover e privilegiar o Opensource ?
6. Qual será o impacto que esta medida vai ter nas ofertas de E-Mail actuais dos privados (sapo.pt, mail.pt, clix.pt, iol.pt, etc.) ? O E-Mail é a Killer-App de qualquer Portal/ISP. Como é que ao mesmo tempo que o governo vai incentivar a massificação da banda larga em Portugal vai ter uma oferta própria de E-Mail ?
7. E desculpem mas não resisto: Poderá isto ser uma oportunidade para a Microsoft para consolidar a sua já larga dominante posição monopolista em Portugal no mercado do Messaging (MSN + Hotmail) ? Alguém se preocupará com isto ?
8. Quanto é que isto vai custar aos contribuintes, em investimento e na operação da plataforma ? Os CTT vão dar suporte ao serviço ? Com que estrutura ?
9. Qual vai ser o formato dos E-Mails atribuídos ? 193431363@fisco.pt ? @ctt.pt ? Spammers heaven ?
10. Acham que isto faz sentido ? Vira aí também o National ID Português ?
Até ao momento o Portal do Governo e o Portal da Banda Larga do Governo ainda não fazem menções a esta iniciativa.
Só em Portugal, um país pequeno com governos prepotentes e um povo cansado de discutir e de se fazer ouvir para nada é que se tomam medidas populares como esta sem sequer pensarem um bocado ou ouvirem quem cá anda há anos, ou pedirem sequer uma opinião aberta. Excelente tacho para os CTT, parabéns aos seus responsáveis pelo feito, os acionistas vão adorar - o contribuinte é que não.
Notável também o exclusivo que deram ao Expresso mais um sinal de populismo, antes sequer de fazerem o comunicado formal pelos meios tradicionais não mediáticos.
pfig, estava mesmo a pensar nisso... O merdHHgamail apareceu exactamante pelos mesmos motivos, e não-coincidentemente pela mão do Mariano Gagá^Ho, também...
Não aprenderam da primeira vez?
"MegaMail é o Serviço de e-mail que resulta de um protocolo assinado entre a Vodafone Telecel, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e a Sun e pretende disponibilizar um Serviço de correiro electrónico português na Internet, gratuito e centralizado através de um interface WEB. Ao disponibilizarem este Serviço, as três entidades envolvidas oferecem a qualquer utilizador da Internet a possibilidade de usufruir de todas as funcionalidades e potencialidades deste meio de comunicação."
A sugestão que deixei no Gildot resolveria o problema, julgo eu. Nada de spam, etc., etc., uma vez que o Estado é o único remetente e não se trata exactamente de uma caixa de email normal.
Cumprimentos.
"E por que não a DGCI?
O que faria sentido era recorrer à estrutura já existente do Fisco, através da qual podemos entregar as declarações de impostos, para essa caixa postal. Já existe o mecanismo de autenticação dos utilizadores, já está tudo pronto, bastava criar uma zona de mensagens com "aviso de recepção".
O utilizador poderia ser notificado da existência de mensagens nessa caixa postal em qualquer outro endereço de email que lá especificasse, ou via SMS.
Para quê complicar?"
Sinceramente acho que no que diz respeito á realidade nacional, os nossos politicos devem andar com aqueles "acessórios" que só deixam ver em frente sendo seguidos de perto por todos os que professam da Santa "tecnocracia" e dos vendilhões do templo.
Quando se fala de "todos os cidadãos Portugueses" significa que é para TODOS e não apenas para os que têm capacidade económica e educação suficientes, para suportar os custos dos acessos a rede, da aquisição de equipamento e que SAIBAM LER.
Pela noticia em si e pelos comentários, parece-me que há quem não viva no mesmo Portugal que eu ou se calhar já se esqueceu do que faziam a maior parte dos nossos avós e da realidade do dia a dia actual da maioria dos Portugueses.
É sempre bom lançar assim uns "choques tecnológicos", da umas noticias porreiras e sustenta os debates no Parlamento, mas no fim quem leva mesmo a "descarga" é sempre o mesmo "zé povinho", que são os 99,98% dos Portugueses. ( Os restantes 0,01% são os politicos e os outros 0,01% são os tipos das empresas que levam os lucros, já depois de deduzidos os 20% dos subsidios para as campanhas dos partidos.)
1. Verdade. Mas para o fim a que se destina obriga a uma confidencialidade e fiabilidade que normalmente não se encontram nos ISP. Para quem não tem PC, os Correios já têm quiosques que poderiam ser usados gratuitamente para este fim.
2. Os standards servem prefeitamente para esse fim. A recepção pode ser mais controlada, p.ex. apenas mails vindos de origens conhecidas e autorizadas (tenho dúvidas que este servidor de email tenha de servir para os mesmo fins a que estamos habituados). Para além disso em termos de infraestrutura base, o servidor terá de ser mais fiável que o habitual, suportando transaction logging e clustering, garantindo altos níveis de disponibilidade e tolerância a falhas.
3. ver Ponto 2.
4. Estás a encarar isto numa óptica comercial com receio de concorrência por parte do estado. IMHO este tem de ser um serviço aos cidadãos. E já agora porque não o Unified Messaging para poder aceder à mailbox via telefone (eliminado-se assim a falta de acesso a um computador ou posto dos Correios) bem como as questões de acessibilidade (invisuais - embora aqui haja outras soluções). Seria uma plataforma muito evoluída, mas sem fazer concorrência aos ISP actuais, pois o objectivo é a comunicação cidadãoestado e não cidadãoresto do mundo.
5. 10 milhões de mailboxes são relativamente simples de suportar. É tudo uma questão escalabilidade da solução pretendida e numero de servidores. Para além disso não terá que lidar com os volumes de email que normalmente se vê devido a spam e afins.
6. Uma vez mais, acho que numa solução ideal não há o perigo dessa concorrência. Tudo depende do fim para o qual a plataforma seja desenhada.
7. E porque não? Se for a melhor solução e a que dê mais garantias...
8. Mesmo que custe 5 euros por contribuinte, acho o potencial da solução muito interessante e capaz de potenciar poupanças largamente superiores na desburocratização de vários processos. Isto se esse potencial for realmente utilizado.
9. É-me indiferente. Salvaguardando a utilização restrita do mesmo.
10. Isso é outro debate. Mas que este electronic Id pode servir para acesso a todos os serviços digitais do estado, lá isso pode. E um futuro "National Id" poderia conter, entre outras coisas, o Certificado Digital do cidadão, emitido pelo estado.
gostei muito de vos ver criticar , apoiar , nao concordar . mas nao se esqueçam de algo que nao é falso , muitos projectos dos ctt.pt sao so conversa , por exemplo o banco postal, poderia ter vingado , mas so se tivessem aceite o acordo com a caixa g. d. o que nao é o caso . isto na minha opiniao , nao passa de mais um elefante branco que vai acabar por dar dinheiro a alguns oportunistas dessa empresa e fica em aguas de bacalhao . Logo veremos sem mais ao vosso dispor . lgarticha
Nem sequer há transportes entre as aldeias. Logo logo
vamos andar de burro ou a pé. Bom sempre teremos um
e-mail.Manda-se um e-mail às batatas, ao milho, aos nabos etc, etc. etc. e logo que estejais "prontos a comer" vinde para casa. Se houver insubordinações ...
pumba: rua.
Notável também o exclusivo que deram ao Expresso mais um sinal de populismo, antes sequer de fazerem o comunicado formal pelos meios tradicionais não mediáticos.
Tuesday, August 16. 2005 at 13:32 (Reply)
Tuesday, August 16. 2005 at 19:02 (Link) (Reply)
Não aprenderam da primeira vez?
Wednesday, August 17. 2005 at 09:19 (Reply)
"MegaMail é o Serviço de e-mail que resulta de um protocolo assinado entre a Vodafone Telecel, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e a Sun e pretende disponibilizar um Serviço de correiro electrónico português na Internet, gratuito e centralizado através de um interface WEB. Ao disponibilizarem este Serviço, as três entidades envolvidas oferecem a qualquer utilizador da Internet a possibilidade de usufruir de todas as funcionalidades e potencialidades deste meio de comunicação."
Thursday, August 18. 2005 at 21:07 (Reply)
Cumprimentos.
http://www.gildot.org/article.pl?sid=05/08/21/1412257&mode=nested
"E por que não a DGCI?
O que faria sentido era recorrer à estrutura já existente do Fisco, através da qual podemos entregar as declarações de impostos, para essa caixa postal. Já existe o mecanismo de autenticação dos utilizadores, já está tudo pronto, bastava criar uma zona de mensagens com "aviso de recepção".
O utilizador poderia ser notificado da existência de mensagens nessa caixa postal em qualquer outro endereço de email que lá especificasse, ou via SMS.
Para quê complicar?"
Monday, August 22. 2005 at 08:37 (Link) (Reply)
Quando se fala de "todos os cidadãos Portugueses" significa que é para TODOS e não apenas para os que têm capacidade económica e educação suficientes, para suportar os custos dos acessos a rede, da aquisição de equipamento e que SAIBAM LER.
Pela noticia em si e pelos comentários, parece-me que há quem não viva no mesmo Portugal que eu ou se calhar já se esqueceu do que faziam a maior parte dos nossos avós e da realidade do dia a dia actual da maioria dos Portugueses.
É sempre bom lançar assim uns "choques tecnológicos", da umas noticias porreiras e sustenta os debates no Parlamento, mas no fim quem leva mesmo a "descarga" é sempre o mesmo "zé povinho", que são os 99,98% dos Portugueses. ( Os restantes 0,01% são os politicos e os outros 0,01% são os tipos das empresas que levam os lucros, já depois de deduzidos os 20% dos subsidios para as campanhas dos partidos.)
Acordem Portugueses
Monday, August 22. 2005 at 10:09 (Link) (Reply)
2. Os standards servem prefeitamente para esse fim. A recepção pode ser mais controlada, p.ex. apenas mails vindos de origens conhecidas e autorizadas (tenho dúvidas que este servidor de email tenha de servir para os mesmo fins a que estamos habituados). Para além disso em termos de infraestrutura base, o servidor terá de ser mais fiável que o habitual, suportando transaction logging e clustering, garantindo altos níveis de disponibilidade e tolerância a falhas.
3. ver Ponto 2.
4. Estás a encarar isto numa óptica comercial com receio de concorrência por parte do estado. IMHO este tem de ser um serviço aos cidadãos. E já agora porque não o Unified Messaging para poder aceder à mailbox via telefone (eliminado-se assim a falta de acesso a um computador ou posto dos Correios) bem como as questões de acessibilidade (invisuais - embora aqui haja outras soluções). Seria uma plataforma muito evoluída, mas sem fazer concorrência aos ISP actuais, pois o objectivo é a comunicação cidadãoestado e não cidadãoresto do mundo.
5. 10 milhões de mailboxes são relativamente simples de suportar. É tudo uma questão escalabilidade da solução pretendida e numero de servidores. Para além disso não terá que lidar com os volumes de email que normalmente se vê devido a spam e afins.
6. Uma vez mais, acho que numa solução ideal não há o perigo dessa concorrência. Tudo depende do fim para o qual a plataforma seja desenhada.
7. E porque não? Se for a melhor solução e a que dê mais garantias...
8. Mesmo que custe 5 euros por contribuinte, acho o potencial da solução muito interessante e capaz de potenciar poupanças largamente superiores na desburocratização de vários processos. Isto se esse potencial for realmente utilizado.
9. É-me indiferente. Salvaguardando a utilização restrita do mesmo.
10. Isso é outro debate. Mas que este electronic Id pode servir para acesso a todos os serviços digitais do estado, lá isso pode. E um futuro "National Id" poderia conter, entre outras coisas, o Certificado Digital do cidadão, emitido pelo estado.
Monday, August 22. 2005 at 11:55 (Reply)
Sunday, August 13. 2006 at 00:16 (Link) (Reply)
vamos andar de burro ou a pé. Bom sempre teremos um
e-mail.Manda-se um e-mail às batatas, ao milho, aos nabos etc, etc. etc. e logo que estejais "prontos a comer" vinde para casa. Se houver insubordinações ...
pumba: rua.
Saturday, April 21. 2007 at 19:19 (Reply)