Nunca os percebi. O meu agregador é o meu leitor de RSS e o meu planeta é a soma das minhas subscrições individuais. Claramente algo me estava a escapar (1).
Nos últimos tempos tenho falado com diversas pessoas sobre a utilidade e as mais valias dos agregadores públicos. Até aceitei um convite antigo e persistente para integrar um. Mas por muitas experiências que faça para tentar compreender o fenómeno aparente da popularidade dos mesmos, as minhas interrogações e as minhas convicções permanecem. Vejam comigo:
Para o subscritor.
1. Um planeta para mim só tem interesse se o tema que agrega for uma especialidade e se tiver critérios apertados de controle de qualidade. Por exemplo, eu assino o Planet Mysql e aquilo tem muita relevância para mim porque trata exclusivamente de artigos sobre Mysql e a sua nuvem de autores são na maioria contribuintes de código ou evangelistas reconhecidos do produto.
2. Qualquer planeta que agregue indiscriminadamente várias especialidades ou (pior) que as misture com autores de temas generalistas, fica automaticamente descaracterizado e tem ZERO interesse para mim, e atrevo-me a dizer, para a maioria das pessoas que conheço. Zero, nenhum, é lixo.
3. O volume de posts. Mais não é melhor. Quem acredita em planetas de volume devia primeiro fazer um pequeno estudo de comportamento de utilizadores de feeds de RSS. A tecla de shortcut que eu melhor conheço no NNW é sem margem para dúvidas a de marcar todo o feed como lido (é o maçã-K). Se eu conseguir resistir ao ímpeto de marcar como lido um feed de 50 posts no primeiro contacto, faço-o sem misericórdia quando encontro o primeiro post a falar de Scolari, é certinho.
Para o blogger:
A primeira ideia que nos vem à cabeça é que um blogger agregado num planeta tem como principal benefício uma maior divulgação dos seus conteúdos, e como tal, recebe mais tráfego de volta. E tendo em conta que uma página de um planeta, pelas características das relações que tem com outros sites, tem normalmente um bom ranking nos motores de pesquisa e usufrui também de alguns efeitos de networking, então mais tráfego é provavelmente o resultado.
Mas não me parece. Parece-me mais uma falácia e um ciclo viciado. Explico porquê:
1. Em primeiro lugar qualquer Blog que tenha como meio para atingir mais tráfego o de usar o networking ou SEO antes do primário investimento em qualidade, relevância ou importância do que lá escreve, está condenado ao esquecimento e a indiferença. Não há planeta ou técnica manhosa que o salve disto.
2. Quando o grupo é desigual os Blogs pequenos ganham mas o grandes perdem. Os pequenos ganham porque beneficiam da grandiosidade dos populares e os grandes perdem porque 1. o tráfego adicional que recebem nem lhes mexe no ponteiro 2. a sua imagem e prestígio ficam de certa forma comprometidos pela falta de qualidade e inutilidade (ou desenquadramento) dos restantes. Tal como na vida real, os grupos de amigos funcionam quando há interesses comuns e valores que se partilham e quando se sentem todos satisfeitos por estarem juntos, não há muita diferença. Não funciona.
3. Porque raio há-de alguém querer ter pessoas por perto que não se identificam com o que escreve? Que interesse para além da embriaguez da imediata grande divulgação do seu pequeno Blog poderá ter um autor em impingir diariamente os seus pensamentos a uma audiência que não se revê com o que diz? Ultrapassa-me.
E por isto continuo a não perceber a generalidade dos planetas dos quais tanto se fala. Claramente algo me continua a escapar (2).
Numa nota relacionada acresce-me dizer que me identifico com este famoso post da Joninhas que apanhei por aí, e que acho que em Portugual não há uma Blogesfera como os jornalistas gostam de designar mas sim um Blogouriço (TM), assim uma coisa mais ou menos redonda mas cheia de espinhos e irregularidades que podem doer muito se lhes tocarmos, mas que está longe de ser a distribuição perfeita e harmoniosa de energia que "esfera" implica.
Não abordaste um aspecto que se calhar tem um pouco mais de relevância do que se possa pensar.
Sem tentar espremer ao máximo os benefícios de ser agregado por um planeta, um blogger pode simplesmente gostar de pertencer a um grupo em que se identifica com a maioria das pessoas e gostar de participar num projecto com essas pessoas. Nem que fosse só um planeta para consumo interno, para mim já me parecem razões boas o suficiente.
Já pertenci a um planeta do qual fui corrido sem qualquer explicação lógica, mas com algum alívio para mim, que estava a achar tudo aquilo um bocado irrelevante.
A conclusão é um bocado: onde mija um português, mijam logo dois ou três. Oiço este ditado desde puto e continua a ser verdade.
A maioria dos conteúdos de blogs é uma reciclagem de notícias e até mesmo opiniões que podemos ler em 20 outros sítios e quando vamos a um planeta geralmente somos confrontados com 30 posts, de diferentes autores, sobre a mesma trampa.
E o pior é que raros são os autores que acrescentam qualquer coisa. É como o caso Scolari: já alguém postou alguma coisa que não incluísse uma referência a ele nem sequer saber assentar um bom soco?
Para mim os planetas têm um objectivo: criar uma comunidade de pessoas que partilham, potencialmente, interesses comuns. À custa do Prt.Sc tive oportunidade de conhecer pessoalmente pessoas muito interessantes (que de outra forma seria mais difícil de conhecer) e criar bons amigos.
Acho que o benefício é mais para quem faz parte do planeta do que para quem lê.
Concordo totalmente quando dizes que o teu planeta é a soma das tuas subscrições individuais - e isso resume na perfeição o que penso sobre este assunto.
Para quêm seguir um planeta com dezenas de bloggers que não me interessa quando posso simplesmente subscrever individualmente os blogs que me interessam?
Os planetas são uma forma de espalhar a palavra (tal como o SEO).
Se ninguem souber que o teu blog existe, ninguem o lê, certo? Para isso escrevias um diário e não um blog. Não faz muito sentido escrever para "quem quiser ler". Ninguem descobriria o teu blog - por mais qualidade que o mesmo pudesse ter - sem algum método de publicitação.
Claro que o extremo oposto (borrifar na qualidade e investir em SEO) tambem não faz sentido nenhum, pois sempre se traduz em bounce rates altos e também é complicado converter em clicks se o objectivo for vender publicidade.
Mas sim, estou de acordo. A qualidade dos planetas sucka. Muito.
Se calhar até dava um desafio interessante para o sapo, não?
Celso, estás enganado nas contas (e não quero com isto falar bem ou mal dos agregadores, nem mesmo desse agregador dentro do armário chamado Sapo, apenas dizer que estás enganado nas contas).
Deixa cá ver.
1. Em primeiro lugar, o networking e a optimização SÃO EFECTIVAMENTE formas de atingir mais tráfego. Podia dar-te uma dúzia de exemplos de blogues com fraca qualidade, irrelevantes e sem importância alguma, pelo que conheço dos teus padrões e pelos meus próprios padrões, e que têm tráfego porque fazem networking como ninguém. E não estou a falar da rapaziada dos concursos e do ganhe dinheiro fácil na net. O networking -- convém lembrar -- é uma técnica anterior à Internet. olha para a tua lista lateral de links.
Dito isto, convém acrescentar que considero o investimento na produção da matéria que compõe o blogue como uma das primeiras preocupações do respectivo autor, a par dos cuidados para manter a matéria anterior (os arquivos) em bom estado vital.
2. Vou admitir que os pequenos ganham a benefício da conversa, pois tenho mais dúvidas que certezas, para dizer isto: cometes o erro de confundir grandes com qualidade e pequenos com falta dela, tornando o teu segundo ponto um disparate. Eu posso querer ter um link num blogue de muito tráfego, na mira de obter uns hits, mas não farei grande esforço por isso -- mas sou capaz de me esforçar por obter um link num blogue pequeno, pela tua nomenclatura, porque esse blogue tem o tipo de prestígio a que eu quero estar associado. Por outro lado, tenho duas regras no meu index.php a evitar o tráfego que vem de dois blogues que me linkam e cujas audiências quero manter longe, fazendo o que posso por isso. Esse dois blogues são, juntos, maiores que o meu.
Ainda no 2.: classificarias o Sapo como um grupo de amigos?
É que a primeira página do Sapo comporta coisas tão distintas como a Sic Mulher e o Diário de Notícias, a Reuters e o Planeta Marcia (vi agora; juro, é um blogue do Sapo, LOL!)
Não vale a pena vires com as diferenças entre o Sapo e os planetas. Do ponto de vista da audiência de cada um, não há diferenças relevantes. É o sítio onde vão ler as cenas do dia. O Sapo é um agregador, para todos os efeitos que consigo lembrar-me dentro deste contexto de conversa. Pega nos conteúdos dos "amigos" e organiza-os segundo uma lógica própria -- e esta é uma excelente definição de planeta, btw, é só tirar as aspas.
E esse agregador funciona. Há anos. Cada vez melhor.
3. Várias razões. O mesmo tipo de razões que faz a SIC querer ter por perto no Sapo projectos com os quais não se identifica - e que preferia ter longe. Salvas as diferenças de tamanho e do número de zeros no cheque, em termos de princípios é a mesma coisa.
Concordando parcialmente o teu post faço só uns esclarecimentos:
- O SAPO para além dos serviços é de facto um grande agregador e uma rede de parcerias estratégicas cujo objectivo último é de gerar muita audiência. No fundo, à sua escala, nesta aspecto é um planeta. Aliás, em termos de conteúdos, como sabes, ainda agregamos mais do que produzimos apesar de não ser essa a percepção geral.
- Mas há uma diferença de fundo que tenho de mencionar. O SAPO é um directório (não de apontadores mas de temas e serviços) e dentro do seu aglomerado é possível e desejável que o utilizador encontre e consuma o seu nicho de interesses.
- O que eu mais critico na maioria dos Planetas é somente o modelo de agregação que fazem e os critérios de selecção que usam, e que automaticamente transformam o resultado da centrifugadora num feed completamente inútil. Há bons Planetas como menciono.
- O mais útil para mim num PlanetGeek ou num PrtScr é descobrir pessoas interessantes e subscrever-lhes os feeds individuais de uma forma organizada e com nexo no meu leitor de RSS. Poderia-se dizer que um PG com um OPML dos autores seria muito útil para mim. Um Planeta com gestão editorial ou com a capacidade (semi)automática de destacar posts com qualidade ou organizar os conteúdos tb seria interessante.
- De resto, SEOs e audiências fora do target (se é que há targets nos Blogs) já são formas de estar, objectivos e opiniões pessoais, não vou discutir.
Numa linha curta, os planetas tem falta de qualidade e utilizadores a mais.
Por isso, alguns ficam com um, como ei de dizer, "smell" a coisas repetidas e desinteressantes.
Para pessoas com a qualidade de escrita que vejo aqui, podes bem ficar-te por Lisboa ou arredores que chega bem para os leitores interessados lerem.
Rui
Monday, September 17. 2007 at 08:48 (Link) (Reply)
Sem tentar espremer ao máximo os benefícios de ser agregado por um planeta, um blogger pode simplesmente gostar de pertencer a um grupo em que se identifica com a maioria das pessoas e gostar de participar num projecto com essas pessoas. Nem que fosse só um planeta para consumo interno, para mim já me parecem razões boas o suficiente.
Monday, September 17. 2007 at 09:21 (Link) (Reply)
A conclusão é um bocado: onde mija um português, mijam logo dois ou três. Oiço este ditado desde puto e continua a ser verdade.
A maioria dos conteúdos de blogs é uma reciclagem de notícias e até mesmo opiniões que podemos ler em 20 outros sítios e quando vamos a um planeta geralmente somos confrontados com 30 posts, de diferentes autores, sobre a mesma trampa.
E o pior é que raros são os autores que acrescentam qualquer coisa. É como o caso Scolari: já alguém postou alguma coisa que não incluísse uma referência a ele nem sequer saber assentar um bom soco?
Mea culpa, eu também já caí nisso.
Monday, September 17. 2007 at 12:02 (Link) (Reply)
Rui
Monday, September 17. 2007 at 12:08 (Link) (Reply)
Acho que o benefício é mais para quem faz parte do planeta do que para quem lê.
Monday, September 17. 2007 at 15:18 (Link) (Reply)
hahahaha...
Monday, September 17. 2007 at 21:02 (Link) (Reply)
Para quêm seguir um planeta com dezenas de bloggers que não me interessa quando posso simplesmente subscrever individualmente os blogs que me interessam?
Saturday, September 22. 2007 at 15:44 (Link) (Reply)
Estou de acordo, mas não sejas extremista.
Os planetas são uma forma de espalhar a palavra (tal como o SEO).
Se ninguem souber que o teu blog existe, ninguem o lê, certo? Para isso escrevias um diário e não um blog. Não faz muito sentido escrever para "quem quiser ler". Ninguem descobriria o teu blog - por mais qualidade que o mesmo pudesse ter - sem algum método de publicitação.
Claro que o extremo oposto (borrifar na qualidade e investir em SEO) tambem não faz sentido nenhum, pois sempre se traduz em bounce rates altos e também é complicado converter em clicks se o objectivo for vender publicidade.
Mas sim, estou de acordo. A qualidade dos planetas sucka. Muito.
Se calhar até dava um desafio interessante para o sapo, não?
Wednesday, October 17. 2007 at 15:13 (Link) (Reply)
Celso, estás enganado nas contas (e não quero com isto falar bem ou mal dos agregadores, nem mesmo desse agregador dentro do armário chamado Sapo, apenas dizer que estás enganado nas contas).
Deixa cá ver.
1. Em primeiro lugar, o networking e a optimização SÃO EFECTIVAMENTE formas de atingir mais tráfego. Podia dar-te uma dúzia de exemplos de blogues com fraca qualidade, irrelevantes e sem importância alguma, pelo que conheço dos teus padrões e pelos meus próprios padrões, e que têm tráfego porque fazem networking como ninguém. E não estou a falar da rapaziada dos concursos e do ganhe dinheiro fácil na net. O networking -- convém lembrar -- é uma técnica anterior à Internet. olha para a tua lista lateral de links.
Dito isto, convém acrescentar que considero o investimento na produção da matéria que compõe o blogue como uma das primeiras preocupações do respectivo autor, a par dos cuidados para manter a matéria anterior (os arquivos) em bom estado vital.
2. Vou admitir que os pequenos ganham a benefício da conversa, pois tenho mais dúvidas que certezas, para dizer isto: cometes o erro de confundir grandes com qualidade e pequenos com falta dela, tornando o teu segundo ponto um disparate. Eu posso querer ter um link num blogue de muito tráfego, na mira de obter uns hits, mas não farei grande esforço por isso -- mas sou capaz de me esforçar por obter um link num blogue pequeno, pela tua nomenclatura, porque esse blogue tem o tipo de prestígio a que eu quero estar associado. Por outro lado, tenho duas regras no meu index.php a evitar o tráfego que vem de dois blogues que me linkam e cujas audiências quero manter longe, fazendo o que posso por isso. Esse dois blogues são, juntos, maiores que o meu.
Ainda no 2.: classificarias o Sapo como um grupo de amigos?
É que a primeira página do Sapo comporta coisas tão distintas como a Sic Mulher e o Diário de Notícias, a Reuters e o Planeta Marcia (vi agora; juro, é um blogue do Sapo, LOL!)
Não vale a pena vires com as diferenças entre o Sapo e os planetas. Do ponto de vista da audiência de cada um, não há diferenças relevantes. É o sítio onde vão ler as cenas do dia. O Sapo é um agregador, para todos os efeitos que consigo lembrar-me dentro deste contexto de conversa. Pega nos conteúdos dos "amigos" e organiza-os segundo uma lógica própria -- e esta é uma excelente definição de planeta, btw, é só tirar as aspas.
E esse agregador funciona. Há anos. Cada vez melhor.
3. Várias razões. O mesmo tipo de razões que faz a SIC querer ter por perto no Sapo projectos com os quais não se identifica - e que preferia ter longe. Salvas as diferenças de tamanho e do número de zeros no cheque, em termos de princípios é a mesma coisa.
Monday, January 14. 2008 at 03:21 (Link) (Reply)
Concordando parcialmente o teu post faço só uns esclarecimentos:
- O SAPO para além dos serviços é de facto um grande agregador e uma rede de parcerias estratégicas cujo objectivo último é de gerar muita audiência. No fundo, à sua escala, nesta aspecto é um planeta. Aliás, em termos de conteúdos, como sabes, ainda agregamos mais do que produzimos apesar de não ser essa a percepção geral.
- Mas há uma diferença de fundo que tenho de mencionar. O SAPO é um directório (não de apontadores mas de temas e serviços) e dentro do seu aglomerado é possível e desejável que o utilizador encontre e consuma o seu nicho de interesses.
- O que eu mais critico na maioria dos Planetas é somente o modelo de agregação que fazem e os critérios de selecção que usam, e que automaticamente transformam o resultado da centrifugadora num feed completamente inútil. Há bons Planetas como menciono.
- O mais útil para mim num PlanetGeek ou num PrtScr é descobrir pessoas interessantes e subscrever-lhes os feeds individuais de uma forma organizada e com nexo no meu leitor de RSS. Poderia-se dizer que um PG com um OPML dos autores seria muito útil para mim. Um Planeta com gestão editorial ou com a capacidade (semi)automática de destacar posts com qualidade ou organizar os conteúdos tb seria interessante.
- De resto, SEOs e audiências fora do target (se é que há targets nos Blogs) já são formas de estar, objectivos e opiniões pessoais, não vou discutir.
Monday, January 14. 2008 at 22:27 (Reply)