Vamos Reunir ?
September 16, 2006
Ainda dentro da mesma linha. As reuniões, essa infindável fonte de matéria prima para tiras do Dilbert, são a prova provada de que as organizações empresariais modernas não funcionam e que estão erradas. E não, não preciso de ter um MBA em gestão empresarial para ter legitimidade para dizer isto, a minha experiência profissional basta-me. As pessoas "reúnem-se" em exagero porque naturalmente, deixando a cultura corporativa fazer o seu trabalho, as soluções não aparecem. Se as soluções aparecessem de livre e espontânea vontade as pessoas só se precisavam de reunir para abrir a garrafa de champanhe.
Dois factos que merecem reflexão:
1. Usando o princípio da máxima do Bruce Schnier sobre a segurança ("Security is only as strong as its weakest link"), quando mais do que duas pessoas se juntam o QI global é igual ou inferior ao menor dos QIs individuais.
2. Nas empresas, na guerra entre a percepção e a realidade, a percepção ganha sempre, é inquestionável! A percepção pode por vezes ser mais do que suficiente para não ter que pensar na realidade durante largos periodos de tempo, do ponto de vista de gestão é só vantagens. O problema é que, embora não exija tanta competência técnica, criar a percepção dá tanto ou mais trabalho do que criar a mesma realidade. E é por causa disso que a tua presença é tão importante naquela reunião.
Vamos Reunir ?
Novo recorde pessoal
September 15, 2006
Esta semana devo ter batido um recorde pessoal qualquer. Se a uns o trabalho provoca stress, a mim stressa-me muito mais não conseguir trabalhar. Está decidido, vou fazer download da minha versão de besta arrogante e colocar um "weekly quota meter" para reuniões inúteis à porta do meu gabinete. Esgotada a quota não esperem de mim uma recepção amistosa. Irra.
A nova geração
September 09, 2006
Há uma nova geração de Web Developers. Chegaram de fininho sem ninguém dar por eles. Fazem coisas fantásticas e surpreendentes sem precisarem de saber uma linha de Perl ou PHP, não podiam ser mais apáticas em relação às guerras dos Windows vs Linux, mal saberão o que é o "bash" ou o "vi", na sua maioria subcontratam a infra-estrutura aos amigos que percebem da coisa, os amigos mais velhos, os que sabem o que é o "vi". Eles andem aí em Portugal e é de louvar, admirar e aprender com eles.
São fazedores e empreendedores, fogem e ainda bem do estereotipo do tuga técnico que ia (note-se o tempo verbal) para o Gildot fazer a criticazinha aguçada, quase template proforma do tipo "bota abaixo - mas não faz nenhum, não que se veja". Nasceram com aquilo a que eu gosto de chamar a Martelada da Web 1.9, o milagre do que se consegue fazer com um programa que foi desenhado para tudo, menos para correr aplicações, vulgo browser. Estão batidos em Javascripts, XHTs, JSONs, Prototypes e outros que tal. Se algum "framework" terão que usar será o Ruby on Rails, o "de facto standard" para as aplicações Web 2.0 e rapid development.
Fazem-nos sentir velhos com a naturalidade com que percebem os conceitos virais da comunidade, o "Social Networking", não sabem o que é um modelo de negócio mas sabem só de ver uma única vez o que é que bom e o que é vai ser um flop, com aquela facilidade com que eu sabia que o SAPO ia ser grande há 12 anos atrás enquanto uma certa pessoa do CICUA nos dizia numa certa reunião de emancipação que dificilmente irei esquecer, que um projecto como o do SAPO nunca teria meios de subsistência, que podíamos levá-lo, quando eu era novo, mais novo. Já agora olha: Obrigadinho!
Usam Macs, dominam o Inglês, têm o Firefox carregado de plugins e pensam e fazem à escala global, como deve ser. Organizam BarCamps ao fim de semana. Sabem o que é que querem dizer palavrões como "Usabilidade", "Simplicidade", "Acessibilidade", "Compatibilidade", etc, e regem-se pelas suas definições.
Eles andam aí e eu acho muito bem, porque eu sempre disse que deposito muita esperança nas novas gerações, por muito paternalista que isto pareça. Aplaudo-vos.
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